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À conversa com Royce da 5’9

O conceituado rapper estadunidense Royce da 5’9” estreou-se em Portugal com dois concertos, um dos quais no dia 30 de Novembro no Hard Club.
Ainda a promover o seu último álbum a solo, “Street Hop” (2009), o rapper que faz parte dos grupos Bad Meets Evil (com Eminem) e Slaughterhouse (com Joe Budden, Joell Ortiz, Crooked I), actuou ao lado de Mundo e Fuse (Dealema), Sir Scratch e Bob da Rage Sense, Kacetado, Berna entre outros, num evento realizado pela FootMovin’ Records e a SóHipHop.

Como não poderia deixar de ser, nós estivemos à conversa com ele. Aqui fica o resultado:

Musicómetro: Antes demais é um prazer ter-te cá no Porto, Royce.
Royce da 5’9”: O prazer é meu, obrigado pelo convite!

M: Tenho de começar por falar  sobre o teu trabalho com o Premier, com os singles “Boom”, “Hip Hop” ou a emocional “Shake This”. Quando podemos ter a oportunidade de ouvir um álbum teu só com ele?
R: Sabes, o meu último álbum, “Street Hop”, estava inicialmente escalado para ser um projecto meu e dele, mas acabou só por ser produtor executivo, devido a diferentes agendas que temos. Ele tem vários projectos neste momento, assim como eu. Adoraria que isso acontecesse e não quero prometer, mas é uma das coisas a pensar no futuro. É uma das coisas que terão de acontecer um futuro próximo!

M: Falando agora no teu single, “Shake This”, apercebemo-nos que representa uma experiência bastante intensa. Podes falar um pouco sobre isso?
R: Shake This é uma música em que eu trabalhei durante o período em que estive preso, devido a alguns problemas com a lei. Estive três meses dentro, e durante esse período, tive tempo para reflectir e focar-me em diferentes coisas. Tive também a oportunidade, através do programa de trabalho fora da prisão de ir gravar para o estúdio. Aliás, Premier deu-me esse instrumental antes até de eu ir para a prisão, por isso estive bastante tempo a trabalhar nele. Tinha começado a escrever antes mas depois e devido a tudo o que aconteceu, a letra foi noutro caminho e decidi escrever sobre todas as situações à minha volta. Apercebi-me de que, quantas mais experiências de vida tenho, melhor escrevo e melhor consigo expressar diferentes coisas, e “Shake This” é um desses exemplos.

M: Sobre a tua cidade, Detroit… Lá existe  uma espécie de “boom” musical, com nomes como o teu, Black Milk, ou Elzhi..
R: Para mim isso é muito positivo! Sempre soube, desde pequeno, que Detroit tinha esse potencial. E não sou só eu, Milk ou Elzhi… Temos Guilty Simpson, Kid Vishis, Illa J, Onebelow, Phat Kat. A lista continua. Muitos deles está a dar concertos fora de Detroit e até fora do país, exportando o feeling que se vive na cidade. Sinto-me orgulhoso com isso, porque como te disse, sempre soube que tínhamos potencial como cidade. Detroit cresceu com a Motown e depois tivemos tempos nebulosos e por isso a cidade tem uma má reputação por ser muito agressiva, mas mesmo assim vai saindo música de lá. Pode ser que essa característica inspire mais alguns de nós a sermos criativos.

M: Soubemos que estiveste recentemente em Londres com o Eminem… Como estão as coisas entre ti e a Shady Records (editora de Eminem)?
R: O meu grupo, Slaughterhouse, está quase a assinar pela Shady, o que nos deixa bastante satisfeitos. Estejam atentos, no próximo ano!

M: Editaste este ano a mixtape Bar Exam 3… Estarão no teu concerto músicas desse projecto assim como os outros?
R: Sim, claro! Irão ouvir esse projecto com certeza! Esses projectos são como se fossem meus filhos.

M: O que pensas hoje em dia do hip-hop feito fora do teu país? Alguma coisa que conheças em Portugal?
R:  Sabes, quando cheguei cá, deram-me alguns álbuns para eu ouvir, e provavelmente vou ouvir no caminho para o concerto amanhã (em Lisboa). Esta é a primeira vez que actuo em Portugal, por isso vai ser interessante conhecer algum trabalho vosso.

M: Na Europa existe uma grande força hip-hop, hoje em dia…
R: Sim, conheço algumas coisas de Kool Savas… Crateraider é um produtor amigo meu de Copenhaga. Através dele fiz uma música com um mc chamado J-Spliff, também dinamarquês. Do que tive oportunidade para ouvir, gosto bastante das melodias, mesmo não entendo a língua que são noutra língua. Gostava de perceber o que falam, mas imagino que também para quem não entenda inglês seja difícil entender a minha música, e ai se demonstra a energia que a cultura hip-hop têm, a força que consegue comunicar com todo o mundo. A musica é a linguagem universal.

M: Passando agora à América, o que achas do que se faz ao nível do hip-hop hoje em dia?
R: Sinceramente, acho que está de boa saúde. E digo isto por existe muita coisa boa, porque se só fosse pensar no mau… É verdade que existe muita porcaria hoje em dia… Houve uma altura que eu não me identificava com as coisas que iam saindo… Os grandes mc’s tinham estagnado ou parado por algum tempo. Eminem pelas situações com que se deparou, o Jay tinha-se retirado da cena, Kanye também, Lil’ Wayne estava forte mas a passar por vários problemas, etc.. Mas agora tens Drake a emergir, a Nicki que criou o seu próprio estilo, J.Cole que gosto bastante, o meu grupo Slaughterhouse. Todos eles fazem com que as coisas estejam a ir num bom caminho. Acho que estamos a chegar a alguma algo produtivo!

M: Falando de Slaughterhouse, vocês estão actualmente a trabalhar num álbum e existe bastante entusiasmo em relação ao teu grupo. Suspeito que o público esteja a espera um grande trabalho.
R: Sim… Para quem não sabe ou não ouvir falar, Slaughterhouse sou eu, Joe Buden, Joel Ortiz e Crooked-I, quatro mc’s de quatro diferentes partes do pais. Basicamente decidimos pegar nas nossas carreiras, fundi-las e formar o que pensamos ser um super-grupo, continuando as nossas carreiras lado a lado. Esta experiência foi tentada várias vezes ao longo da história do hip-hop, mas por diferentes políticas, sempre falhando. Acho que pode ser a primeira vez que tenha sucesso ao editar um album. A nossa mixtape  foi o numero um dos albuns indie hip hop deste ano, e  com a colaboração da Shady Records, isto  passará a outro patamar. Creio que o futuro será brilhante, de certeza!

M: Royce, obrigado mais uma vez pela tua disponibilidade e espero que dês um grande concerto hoje.
R: Obrigado eu. Vou dar o meu melhor!

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Agradecimentos: FootMovin’ Records e SóHipHop.