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Jorge Caiado em conversa connosco antes da RBMA

Esta noite, com umas pequenas alterações de programação devido aos problemas que atravessam os nossos parceiros da Groove United Radio, temos um novo guest mix a acompanhar a minha selecção da primeira hora de On The Fringe. O convidado especial é Jorge Caiado que, como devem saber, foi o seleccionado português para participar na Redbull Music Academy 2011, a acontecer em Madrid durante os próximos meses de Outubro e Novembro.

Ouvindo a sua mix não podemos deixar de pensar que seu futuro é bastante auspicioso. Mas quem é Jorge Caiado? Vamos saber…

MSCMTR: Olá Jorge! Fala-nos um pouco sobre ti. Como enveredaste pela música electrónica e porquê o house como forma predilecta para o teu trabalho?

Olá, desde já gostava de agradecer o convite, fico muito contente por poder colaborar com vocês!
Eu nasci à 22 anos atrás no Brasil, embora tenha me mudado muito novo para cá, com apenas 8 anos. Cedo e na cidade onde passei a minha adolescência (Póvoa de Varzim) comecei a rodar uns discos, com 15/16 anos nos bares e discotecas locais. Desde ai comecei a traçar os meus objectivos e a trabalhar para que os conseguisse alcançar. Aos 18 anos passei a fazer parte do restrito e concorrido grupo de alunos que frequentam a licenciatura de Produção e Tecnologias da Música, na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto (cidade que me acolheu durante 3 anos). Aqui aprendi imensa coisa relacionada com o áudio, desde a captação à sua manipulação.
Aos 21 e após concluir o curso superior mudei-me para Lisboa, cidade onde resido actualmente, para estudar Piano numa escola de Jazz. Senti uma clara necessidade de após ter o conhecimento técnico e tecnológico sobre o áudio/música, aprender a parte prática de estudar um instrumento não só por gosto mas pela lacuna que senti ao tentar desenvolver os meus temas, ou na ajuda de produção para outros. Ainda nem a um ano em Lisboa, já consigo ir vivendo de música (gigs) e para a música (pois dedico todo o meu dia a criar, estudar e pesquisar música). Toco com alguma regularidade em espaços emblemáticos como o Lux-Frágil ou MusicBox e sou residente em clubes como o Estado Líquido ou o mítico Frágil no Bairro Alto.

MSCMTR: E quais são as tuas maiores influências?

As minhas principais influências vêm da minha familia (mãe, pai, irmã e avós) e de algumas pessoas próximas relacionadas com a música como é o caso do meu “irmão” Pedro Terror, António Alves e o João “Kaspar” Pires. A nível de artistas e produtores: da “Motor City” destaco Marvin Gaye, J Dilla, Carl Craig e Moodymanm; de Chicago, Chez Damier e Larry Heard; da Europa, Move D e Jazzanova; do Brasil, Vinicius de Moraes e Caetano Veloso.

MSCMTR: O que te levou a candidatares-te à Redbull Music Academy?

Aos 18 anos fui convidado para participar no primeiro “Taster” da Redbull em Portugal, uma espécie de amostra de uma edição Internacional mas com a malta portuguesa escolhida por eles na altura. Esta participação abriu-me várias portas, inclusive a da RBMA Internacional, que até então desconhecia. Durante 3 anos candidatei-me e como manda a regra à terceira é de vez!! Vi nesta academia uma oportunidade única de conhecer e conseguir conviver lado a lado com os principais intervenientes actuais do mundo da música e isso para mim é provavelmente uma das fontes de inspiração mais fortes. A possibilidade de poder mostrar o meu trabalho a uma maior rede de pessoas interessadas, às quais muito dificilmente chegaria com a mesma atenção de outra forma foi outro dos factores fundamentais.

MSCMTR: E como te sentiste após receberes a notícia da selecção?

Senti-me incrivelmente feliz, foi uma sensação única, numa ocasião muito peculiar, pois estava nos backstages do SuperBock SuperRock a felicitar a restante crew da Groovement (editora Portuguesa para qual trabalho) o excelente trabalho e representação prestada momentos anteriores. Foi uma explosão de alegria onde só conseguia pensar o quanto eu tinha me esforçado e trabalhado para chegar ali!

MSCMTR: Achas que isso poderá servir como trampolim para a tua carreira como produtor e dj?

Acho (e espero) que sim, principalmente porque a Redbull normalmente dá seguimento aos artistas seleccionados e continua a apoia-los nos tempos seguintes à Academia. Para além disto acho que o peso e visibilidade de participar na edição Internacional e acima de tudo estar a representar Portugal neste evento é algo importante que (espero novamente!!) terá as suas repercurssões tanto a nível nacional como internacional.

MSCMTR: Então o que podemos esperar de Jorge Caiado nos próximos tempos?

Muito brevemente irá sair o meu primeiro disco (12” só com originais) por uma das mais conceituadas e emblemáticas editoras de house norte-americana, editora da qual já faço parte integrante do grupo de artistas e para quem já estou a preparar discos futuros. Ainda a nível de repertório, em 2012 irei muito provavelmente estrear-me com um disco na Groovement, editora para qual já trabalho como produtor executivo e militante assíduo ao lado do dono e director, Rui Torrinha.
A nível de djing, estarei agora em Outubro a fechar o primeiro dia do Festival “Jameson Urban Routes” a seguir a Jacques Greene a realizar-se no Music Box (Lisboa). Até ao fim do ano irei manter as minhas residências lisboetas com uma ou outra subida a norte, com destaque para as Label Nights da Groovement que se irão realizar no eixo Lisboa-Porto-Guimarães, estejam atentos!!

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