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Burial – Kindred EP

Há que dizê-lo. O lado B do mais recente vinil de Burial na Hyperdub é, simplesmente, a melhor música que o produtor londrino gravou até à data. E dizê-lo, nao é dizer pouco, já que ao longo dos últimos anos o produtor londrino tem sido responsável por alguma da música mais inovadora saída da capital britânica, tendo popularizado um género musical, o dubstep, à conta dos clássicos “Burial” de 2006 e “Untrue” de 2007.

O EP de três faixas começa morno com “Kindred”, uma faixa instantaneamente familiar para quem conhece os seus outros discos. Todas as marcas clássicas de Burial estão lá: a agulha do vinil, o som da chuva miúda ao fundo, a batida garage. Ao longo dos seus onze minutos e meio, “Kindred” dá o mote, mas não nos prepara para o que se segue.
Porque é quando viramos de lado no disco, que o assombro se instala. No início a promessa: uma voz surge do vácuo para nos dizer: “there’s something out there”. De facto, esse algo vem de imediato na nossa direcção. Uma linha de baixo poderosa, uma batida 4/4 a ancorar vozes que flutuam no éter à nossa volta, enquanto começamos a viagem para a noite na selva urbana, cujo retrato Burial pinta com traços sónicos carregados de escuridão.

Quando “Ashtray Wasp” começa, já sabemos que estamos perante algo de especial. Mas ignoramos o quão especial é a viagem em que o produtor William Bevan nos levará, ao longo dos próximos doze minutos e meio. Tentaremos descrever:
É como se Burial tivesse encontrado a fórmula que lhe permite destilar em termos sonoros a experiência urbana do século 21. Um oceano de anonimidade, vidas desconectadas, beleza inefável potencialmente ao virar de cada esquina, um sentido de opressão, ansiedade e uma intensa solidão que todos os que vivem na cidade em que Burial habita partilham.

Kindred” é, simplesmente, essencial.