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bestival-2012

Bestival, uma experiência a não repetir

Bestival é um festival que atrai anualmente umas dezenas de milhares de almas à Ilha de Wight.
Este ano tivemos a nossa primeira experiência num festival inglês e, apesar do tradicional mau tempo não ter comparecido, deu para perceber ‘do que a casa gasta’.

A espécie de nativo que se encontra neste festival está algures entre o hipster-cool londrino e o pater familias que bebe 10 cervejas de penalti numa qualquer esplanada de Albufeira. Uma bela mistela, portanto.
Adicionar a este cocktail doses generosas de drogas alucinógenas e um dress code que obriga os presentes a escolher uma fantasia dentro do tema de vida selvagem, e esta lançado o mote para o caos semi-saudável.

Como explicar de outra forma um cartaz que vai do sublime ao ridículo em quatro curtos dias?
Fiquemo-nos pelo sublime: Bat for Lashes tem um novo álbum de fazer chorar as pedras da calçada de tão bom que é; as meninas Warpaint ainda rodam o primeiro álbum, que soa tão fresco como no dia em que saiu; os Justice ainda sabem pôr uma tenda a mexer, e Kavinsky é mais, muito mais que aquela musiquinha-que-soa-a-Air da banda sonora de “Drive”.
Os New Order podem estar velhos rabugentos (que se recusam a partilhar o palco com o Peter Hook) mas ainda se lembram com quantos acordes se faz uma canção.
Actress deu um show num dos palcos secundarios, com um set de funk com direito a Pointer Sisters e tudo.

Notas menos positivas para: Stevie Wonder (a sério?), Two Door Cinema Club (acordem-me quando eles acabarem), the XX (para ouvir músicas decentes fico em casa com o CD, era fixe se se mexessem em palco ou tivessem um esboço de reacção à audiência. too cool for school, estes).
Sinceramente o que deu para entender foi que os festivais ingleses são chatos. Ninguém está lá pelo cartaz e teríamos tido uma experiência bem melhor (e mais barata, também) vendo os artistas que queríamos mesmo ver (e que se contavam com os dedos de uma mão), em concerto, com o seu público, numa sala de espectáculos intimista em vez de um campo no meio de nenhures com milhares de pessoas que evitaríamos no dia-a-dia.

Bestival, uma experiência a não repetir.

Fotografia © Louise Roberts