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Flying Lotus Until The Quiet Comes

Flying Lotus – Until The Quiet Comes

O muito aguardado quarto álbum de originais de Flying Lotus chegou-nos às mãos há sensivelmente três semanas. Era um disco que aguardávamos com grande antecipação, essa que vimos mais do que justificada quando, apenas após a primeira audição, “Until The Quiet Comes” se tornou um dos maiores candidatos a álbum do ano.

Ainda assim, este novo trabalho veio acompanhado com a sua dose q.b. de surpresa e os mais puristas acharão este disco um devaneio, um desvio de percurso. Na verdade, após o ponto culminante atingido pelo anterior Cosmogramma – um disco muito mais denso e complexo -, creio que este é um caminho óbvio para Ellison, tendo em conta a sua herança e personalidade. Depois da tempestade vem a bonança, e com ela a experimentação por espaços menos frenéticos. Menos Dilla, mais Coltrane.

Este é, portanto, um disco mais acessível, mais melódico e introspectivo. Um disco que faz jus ao seu título, uma busca pela tranquilidade, talvez reflexo das alterações no estilo de vida do proprio autor que, após a mudança para os subúrbios de Los Angeles, refere numa entrevista recente do sítio Pitchfork:

[…] being surrounded by lots of noise […] and still being able to try to hold onto some kind of identity for myself. […] when all that stuff gets quiet, you can explore your ideas without any ego or mental chatter.

A secção introdutória do álbum, talvez a mais reveladora desse estado de espírito, é a que mais soa a free jazz, experimentação downtempo. A ponte com a electrónica dá-se em “Tiny Tortures”, onde o contraste entre a batida glitch e o baixo de Stephen “Thundercat” Bruner é revelador dessa bipolaridade musical de Ellison. O mesmo ocorre em “All The Secrets”, mas ao som de piano.
A minha parte favorita, o crescendo de “Sultan’s Request” para “Putty Boy Strut”, o tema mais dançável do disco, dá então início (tal como no vídeo oficial) a uma verdadeira viagem, por territórios do inconsciente, dos sonhos, intangíveis.
Pelo meio, a participação inconfundível de Erykah Badu em “See Thru To U” ou a fantasmagórica voz de Thom Yorke em “Electric Candyman”, além dos colaboradores frequentes como as cantoras Niki Randa ou Laura Darlington e o já referido Thundercat completam o design de Fly Lo e tornam “Until The Quiet Comes” numa obra inigualável. Mais uma.

“Until The Quiet Comes” está ainda disponível para audição, na íntegra, aqui.

Alinhamento:

  1. All In
  2. Getting There (feat. Niki Randa)
  3. Until The Colours Come
  4. Heave(n)
  5. Tiny Tortures
  6. All The Secrets
  7. Sultan’s Request
  8. Putty Boy Strut
  9. See Thru To U (feat. Erykah Badu)
  10. Until The Quiet Comes
  11. DMT Song (feat. Thundercat)
  12. The Nightcaller
  13. Only If You Wanna
  14. Electric Candyman (feat. Thom Yorke)
  15. Hunger (feat. Niki Randa)
  16. Phantasm (feat. Laura Darlington)
  17. me Yesterday//Corded
  18. Dream To Me

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